O hacker Walter Delgatti acaba de afirmar na CPMI do 8 de janeiro que a segunda ideia da campanha de Bolsonaro foi que ele simulasse o sistema da urna para inserir um voto e aparecer outro.
Segundo Delgatti, "IDEIA DO DUDA (MARQUETEIRO) ERA QUE EU CRIASSE UM CÓDIGO MEU, NÃO DO TSE, UM FAKE"
Ele disse ainda que foi levado para um encontro com Jair Bolsonaro. Na ocasião, o ex-presidente prometeu um indulto caso ataque fake à urna eletrônica fosse descoberto pela Justiça. Segundo o depoente, Bolsonaro prometeu 'prender juiz' caso ele fosse preso.
Delgatti disse que encontrou a deputada Carla Zambelli (PL-SP) num posto de gasolina, que ela inseriu um chip num celular "aparentemente novo" e ligou para o então presidente da República. “Segundo ele [Bolsonaro], o grampo já havia sido realizado, com conversas comprometedoras do ministro, e eles queriam que eu assumisse a autoria desse grampo, lembrando que à época eu era o hacker da Lava Jato”, detalhou Delgatti aos parlamentares.
O hacker afirmou ainda que Bolsonaro lhe contou que o grampo havia sido realizado por agentes de outro país e lhe disse: “Fique tranquilo, se por acaso alguém lhe prender eu mando prender o juiz", e deu risada.
Delgatti disse que concordou em assumir o grampo, porque era um pedido do presidente da República.
“Após isso, a deputada [Carla Zambelli] me disse que eu precisava invadir algum sistema de Justiça, ou o TSE [Tribunal Superior Eleitoral] em si, para mostrar a fragilidade do sistema”, relatou o depoente. Em seguida, ele teria invadido os sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e de todos os tribunais do País.
Ele afirmou aos integrantes da CPMI que ficou por quatro meses na intranet do CNJ, de todos os tribunais e inclusive do TSE.
Novas reuniões
Delgatti informou ainda que, no dia 9 de agosto do ano passado, participou de duas reuniões. Uma com o presidente do PL, Waldemar Costa Neto, os advogados dele, o irmão e o marido de Carla Zambelli em que trataram de assuntos “técnicos”. E outra com o marqueteiro Duda Lima, em que eles teriam discutido ações para colocar em dúvida a credibilidade das urnas eletrônicas, mostrando, por exemplo, que era possível apertar um voto e sair impresso outro.
Em outra ocasião, Delgatti afirmou que se reuniu com Bolsonaro, Zambelli, o ajudante de ordens do presidente Mauro Cid e o general Marcelo Câmara ainda para discutir a fragilidade das urnas eletrônicas. Bolsonaro, segundo o hacker, lhe garantiu que receberia um indulto se fosse preso por ações relativas à urna eletrônica.
Delgatti disse aos parlamentares que, ao todo, foi cinco vezes ao Ministério da Defesa. A ideia inicial era ele mesmo inspecionar o código-fonte, mas apenas servidores do ministério tinham acesso, então eles iam até o TSE e repassavam informações para o hacker.
— Ele disse "Fique tranquilo, se algum juiz te prender, eu mando prender o juiz" e deu risada — afirmou o hacker.
Delgatti cita ainda que foi informado, durante reunião com Jair Bolsonaro, que o telefone do ministro Alexandre de Moraes fora grampeado.
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