19/03/2023 - 13:30 | Atualizada em 20/03/2023 - 09:18
Cícero Henrique
Reza o velho dito popular que dois bicudos não se beijam. Por “bicudo”, entenda-se aquele que está sempre em atitude radical, que não aceita acordo, que precisa do dissenso e acha que fazer parte do consenso é aderir ao “sistema”.
Bolsonaristas têm como particularidade serem “bicudos”, pois estão sempre em atitude de combate, descontentes mesmo quando poderiam (ou deveriam) estar em harmonia. Basta ver como se portou no cargo de presidente, durante quatro anos, o “fundador” do movimento: Jair Bolsonaro (PL) só fez acordo com quem consentiu ao que ele queria e a quem via o mundo da mesma forma que ele. Por isso, o bolsonarismo, ao contrário de outros agrupamentos de direita e de esquerda, tende a se fechar em si mesmo e “cultuar” um único líder.
Senador Wellington Fagundes não foi formado no bolsonarismo. É político pragmático, claramente de centro, mas não se “encaixa” na bolha, ainda que dele tenha participado por causa da grandíssima influência do bolsonarismo nos últimos anos.
Entretanto, era natural que, assim que Bolsonaro se colocasse como protagonista do mesmo partido que o senador, seu pessoal passasse a ser escanteado em prol dos mais extremistas. Já vem gerando conflitos internos dentro do PL com as atitudes do deputado federal Abilio Junior – o que começa um estopim de brigas que agora ficam escancaradas – foi uma consequência natural.
E o PL, como fica? Com os “bicudos” que restarão – ainda muitos, e que continuarão não se beijando. Muito pelo contrário…
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