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“Imunidade de rebanho é conferida pela vacina, não pela infecção”, reforça Ludhmila Hajjar, sobre a ômicron

ALTA TRANSMISSÃO

14/01/2022 - 10:25 | Atualizada em 15/01/2022 - 09:23

Gabriela Macedo

“Imunidade de rebanho é conferida pela vacina, não pela infecção”, reforça Ludhmila Hajjar, sobre a ômicron

Intensivista e professora de cardiologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Ludhmila Hajjar

Foto: Reprodução

Após Ministério da Saúde considerar a variante ômicron como a variante predominante no Brasil, devido a uma rápida explosão de contaminação, as previsões ao sistema de saúde dos próximos dias não são tão positivas. A avaliação é da intensivista e professora de cardiologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Ludhmila Hajjar, considerou como assustadora a explosão de casos da variante, de modo que o impacto no sistema hospitalar pode ser grande dentro de uma ou duas semanas.

“Estamos vivendo um momento muito difícil no Brasil e isso já tem gerado um grande impacto no sistema hospitalar, especialmente quanto a questão de insumos e leitos. O que esperamos são dias muito difíceis, especialmente dentro de uma ou duas semanas, quando provavelmente teremos um número de internações muito além de nossa capacidade”, explica a médica. Novamente, a palavra da vez, segundo ela, é ‘colapso’, especialmente porque com uma nova superlotação das unidades de saúde, tratamentos eletivos também acabam prejudicados.

“Isso terá um impacto negativo nas cirurgias eletivas e internações por outras doenças, como câncer, doenças cardiovasculares, entre outras”, pontua. Ludhmila ainda detalha que, atualmente, a maior parte das pessoas hospitalizadas em estado grave pela Covid-19 são pacientes que já poderiam ter tomado a dose de reforço, mas não tomaram, ou pessoas não imunizadas. “Isso infelizmente é a realidade. Internado, o paciente se arrepende, mas é tarde. Já está na UTI (Unidade de Terapia Intensiva), com o pulmão doente”, lamenta.

Para a professora da faculdade de Medicina da USP, a variante ômicron, descoberta na África do Sul, vem sendo subestimada por muitos, com o conceito de que esta seria menos grave que as demais. Quanto a sua gravidade e risco de morte, ela concorda, no entanto, pede atenção, uma vez que a “prevalência e frequência vêm sendo tão altas que o número de internações aumentou e permanecerá subindo nos próximos dias”.

As medidas protetivas individual e coletiva, no entanto, permanecem as mesmas. Ela, inclusive, ressalta a importância da permanência do uso de máscaras e sugere a troca das máscaras cirúrgicas e de pano para a PFF2 ou N-95. Especialmente em ambientes fechados ou que possuam pessoas com sintomas ou já diagnosticadas com a Covid-19. “Estamos em um momento de altíssima transmissão e estamos falando de uma variante que é muito difícil conter essa transmissão. Por isso, pedimos que aglomerações sejam evitadas e que todas as medidas de higiene sejam mantidas”, sugere a cardiologista.

Hajjar ainda reitera que, diferente do que muitas pessoas que não desejam se imunizar argumentam, “a imunidade de rebanho é conferida pela vacina, não pela infecção”. Segundo ela, a vacina é a arma mais potente que se existe para o combate à Covid-19, de modo que toda a população deve tomar a primeira e a segunda dose, a dose de reforço quando indicada, e levar suas crianças para serem imunizadas. “Essa é a solução imediata que temos. Enquanto isso, nós, como profissionais da Saúde, faremos o possível para atender todas as pessoas, com todas as dificuldades estruturais que teremos”, declara.

Ludhmilla Hajjar é formada pela UnB e doutora pela USP. Nascida em Anápolis, Goiás, a professora de Cardiologia da USP chegou a ser cotada para chefiar o Ministério da Saúde no último ano.

 

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