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Em pronunciamento, Bolsonaro critica passaporte vacinal e distorce informações

MENTIROSO COSTUMAZ

01/01/2022 - 10:48 | Atualizada em 02/01/2022 - 06:41

Acaray Martins

Em pronunciamento, Bolsonaro critica passaporte vacinal e distorce informações

Bolsonaro em pronunciamento em rede nacional

Foto: Reprodução

Durante pronunciamento em rede nacional de rádio e TV, o presidente Jair Bolsonaro (PL) criticou a exigência do passaporte vacinal no País. Enquanto discursava, durante seis minutos – o vídeo foi gravado antes de sua viagem a passeio para Santa Catarina – vários panelaços eram registrados pelo Brasil.

Ao fazer balanço dos três anos de governo, ele distorceu e omitiu informações sobre a gestão, além de também defender a prescrição médica para imunizar crianças de 5 a 11 anos.

Especialistas acreditam que facilitar a vacinação das crianças são medidas importantes para combater a pandemia. “Não apoiamos o passaporte vacinal, nem qualquer restrição àqueles que não desejam se vacinar. Também, como anunciado pelo ministro da Saúde, defendemos que as vacinas para as crianças entre 5 e 11 anos sejam aplicadas somente com o consentimento dos pais e prescrição médica. A liberdade tem que ser respeitada”, afirmou o presidente no discurso.

Alvo de investigação sobre suposta prevaricação na negociação da vacina Covaxin, o presidente afirmou na mensagem de fim de ano que não há corrupção no governo. “Completamos três anos de governo sem corrupção. Já concluímos, com menor custo, centenas de obras paradas há vários anos”, disse Bolsonaro.

No entanto, investigações envolvendo membros ou ex-membros do governo estão em andamento. Um deles é o ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles, que foi um dos alvos da operação Akuanduba da Polícia Federal, realizada no dia 19 de maio. As investigações apuram suspeita de facilitação à exportação ilegal de madeira do Brasil para os Estados Unidos e Europa. Ele foi exonerado por Bolsonaro um mês depois; o servidor do Ministério da Saúde e ex-chefe do setor de importação da pasta Luís Ricardo Miranda disse que identificou suspeitas de irregularidades na compra da vacina indiana Covaxin.

A CPI da Covid apurou suposto pedido de propina em uma negociação paralela para adquirir vacinas da AstraZeneca contra a Covid, por meio da empresa Davati Medical Supply. Já a CGU detectou irregularidades em uma licitação de R$ 3 bilhões para compra de computadores do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), do Ministério da Educação (MEC), que poderiam gerar prejuízos milionários aos cofres públicos, e recomendou a suspensão do pregão eletrônico.

Ainda, durante o discurso, Bolsonaro também disse que foi no seu mandato que começou novas obras e concluiu outras que estavam inacabadas. Bolsonaro citou a transposição do rio São Francisco como exemplo – mas não mencionou que, quando assumiu, mais de 90% da obra já estava concluída e que vários trechos já tinham sido inaugurados em governos anteriores.

Críticas a governadores
Bolsonaro também voltou a criticar prefeitos e governadores, responsabilizando-os pela crise econômica por causa da política adotada para combater a pandemia de Covid-19. A adoção de lockdown era recomendada por infectologistas e autoridades sanitárias para se retardar o crescimento da pandemia e atenuar a superlotação de hospitais.

Ele também afirmou que o governo federal destinou bilhões de reais para que estados e municípios enfrentassem a situação, citou a criação de programas para a preservação de 11 milhões de empregos e o pagamento do auxílio emergencial a 68 milhões de pessoas.

No entanto, o presidente Bolsonaro não disse que os programas foram aprovados pelo Congresso Nacional e que, no caso da criação do auxílio emergencial, o valor aprovado pelos parlamentares foi maior que o proposto inicialmente pela equipe econômica do governo.

Bolsonaro declarou ainda que o Brasil termina 2021 com saldo de três milhões de novos empregos e cinco milhões de empresas abertas. O presidente, porém não citou que, nesta semana, o levantamento do IBGE mostra que apesar da criação de novos empregos, quase 13 milhões de brasileiros ainda estão desempregados.

Destacou que começou a pagar o Auxílio Brasil – programa que substituiu o Bolsa Família – e que cada família receberá, no mínimo R$ 400. Bolsonaro sancionou na última quinta-feira (30) a lei que cria o Auxílio Brasil, mas vetou trecho que previa inclusão obrigatória de todas as famílias que cumprissem os requisitos do programa. Especialistas consideraram que ficará mais difícil alcançar o objetivo de contemplar as 17 milhões de famílias que o governo prometeu atender.

Na mensagem de fim de ano, Bolsonaro também citou a flexibilização da posse e do porte de armas no Brasil. Citou ainda a tragédia provocada pelas chuvas na Bahia e em Minas Gerais e disse que, desde o primeiro momento, pediu a ministros que ajudassem os municípios atingidos. O presidente está de férias em Santa Catarina e vem sendo criticado por não ter participado diretamente das ações do governo para enfrentamento da situação.

* Com informações do portal G1.

 

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