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Após ataque machista, Juca do Guaraná encerra a sessão sem votar Comissão Processante

Presidente se aproveitou da confusão para encerrar a sessão e postergar votação. Oposição protesta

04/11/2021 - 13:34 | Atualizada em 05/11/2021 - 13:14

Jô Navarro

Após ataque machista, Juca do Guaraná encerra a sessão sem votar Comissão Processante

Foto: Reprodução

O presidente da Câmara Municipal de Cuiabá, vereador Juca do Guaraná, protagonizou uma cena de machismo explícito e desrespeito na sessão desta quinta-feira (4). Dirigindo-se à vereadora Michely Alencar, que pediu 'pela ordem' após ter sido citada nominalmente, chamou-a de "menina histérica, que parece que perdeu o doce".

Vereadores da oposição protestaram e exigiram respeito. Juca do Guaraná aproveitou a confusão para encerrar a sessão sem votar o requerimento para abertura de Comissão Processante contra o prefeito afastado Emanuel Pinheiro.

O presidente da Casa havia se comprometido com os vereadores a colocar em votação o pedido, mas não cumpriu a palavra. 

Vereadores da base estão sendo pressionados nas redes sociais a aprovar a investigação e pedido de cassação de Emanuel Pinheiro. O jornalista e analista político Onofre Ribeiro manifestou-se sobre o pedido de cassação com a frase que viralizou e foi compartilhada pela vereadora Michely: "A cassação do prefeito de Cuiabá só depende do tamanho do cheque que os vereadores receberem".

Sem questionar o jornalista, mas queixando-se do comentário que teria sido compartilhado por Michely, Sargento Vidal, criticou a colega. "Por que denegrir os colegas?" Citada, a vereadora pediu pela ordem, os colegas Diego Guimarães e Dilemário Alencar protestaram e o presidente Juca do Guaraná interferiu exigindo silêncio. Houve bate-boca, Juca não concedeu a palavra, ela insistiu, e ele disparou: "Vereadora, não adianta a senhora ficar histérica, como um menina que perdeu um doce!"

Houve protestos no plenário e Juca do Guaraná aproveitou a situação para encerrar a sessão e postergar a votação. 

São necessários 17 votos parar abrir a Comissão Processante. Emanuel Pinheiro está afastado do cargo após duas decisões judiciais, uma no TJMT e outra na primeira instância. Até o momento, os recursos da defesa do prefeito afastado não obtiveram êxito.

Emanuel foi alvo da Operação Cupincha. Ele é investigado por pagar o Prêmio Saúde irregularmente, mediante critérios pessoais e políticos, e de contratar profissionais de saúde indicados por vereadores, deputados, secretários, com o objetivo de 'comprar' apoio político, segundo delatado pelo ex-secretáriode Saúde Huark Douglas. Pinheiro deve permanecer afastado até o final de janeiro de 2022. Fora da Prefeitura, Emanuel começa a sofre desgaste e alguns vereadores da base já estariam repensando o apoio, temendo o resultado nas urnas, como ocorreu com Misael Galvão, Toninho de Souza e outros.

 
 

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