Terça-feira, 7 de dezembro de 2021
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Operação que afastou Emanuel Pinheiro é resultado da CPI da Saúde na Câmara

Denúncias da CPI foram encaminhadas aos órgãos de controle e resultaram nas Operações Sangria e Capistrum

20/10/2021 - 10:59 | Atualizada em 21/10/2021 - 07:44

Jô Navarro

Operação que afastou Emanuel Pinheiro é resultado da CPI da Saúde na Câmara

Foto: Reprodução

O afastamento do prefeito Emanuel Pinheiro (MDB), na “Operação Capistrum”, na terça-feira (19), é resultado das denúncias apresentadas aos órgãos de controle (Delegacia Fazendária, Delegacia de Combate à Corrupção, TCU e MPE) pela CPI da Saúde realizada na Câmara de Vereadores de Cuiabá em 2018.

Presidida pelo então vereador Abilio Brunini, relatada por Ricardo Saad, a CPI teve origem após coleta planilhas e documentos durante fiscalização in loco do vereador Abilio na secretaria de Saúde. Os vereadores Dilemário Alencar, Marcelo Bussiki, Felipe Wellaton e Diego Guimarães, da oposição, assinaram em conjunto diversas denúncias enviadas para os órgãos de controle sobre irregularidades na Secretaria Municipal de Saúde.

A CPI da Saúde apontou contratações irregulares, corrupção, improbidade administrativa, dentre outras ações contrárias aos princípios da administração pública.
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“Tudo começou com uma fiscalização em que chamaram até policiais militares para me prender. Fomos fiscalizar algumas denúncias relacionadas à saúde de Cuiabá. Chegamos até a Secretaria de Saúde, onde encontramos um computador com diversos arquivos que indicavam claramente um esquema de contratação ilegal de servidores com nome, telefone e indicação política no verso. Um verdadeiro ‘cabidão’ de emprego articulado entre o Poder Executivo e Legislativo”, disse Abilio.  
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Segundo Abilio, toda informação levantada foi analisada e os principais servidores da pasta ouvidos no decorrer das oitivas da CPI da Saúde, a qual foi presidente. “Tanto a ex-secretária quanto o próprio Huark, que era o secretário naquela ocasião, foram claros ao relatarem a ingerência política instalada na pasta”, disse Abilio, frisando que, ao final da CPI toda documentação reunida foi entregue aos órgãos de controle e investigações (Delegacia Fazendária, Delegacia de Combate à Corrupção, TCU e MPE). 

Veja abaixo o depoimento do secretário adjunto da SMS na CPI da Saúde sobre as contratações de temporários



A Operação Sangria foi deflagrada a partir das denúncias da CPI da Saúde. O ex-secretário de Saúde Huark Douglas, foi preso e acabou firmando acordo de não persecução cível perante a 9ª Promotoria de Justiça Cível da Capital. O médico entregou documentos que demonstraram a contratação irregular de 259 pessoas na SMS para atender interesses escusos do Prefeito Emanuel Pinheiro que, em certa ocasião, afirmou que as contratações seriam um “canhão político” para conseguir apoio político, assim como também por ter levado em consideração que o volume de contratação era incompatível com a necessidade da Secretaria de Saúde de Cuiabá.

A ira dos aliados de Emanuel Pinheiro na Câmara levou-os a pedir a cassação do mandato de Abilio. Após um processo irregular na Comissão de Ética, conseguiram confirmar a cassação, que posteriormente foi revertida por decisão judicial. O vereador foi candidato a Prefeito em 2020 e perdeu por pequena diferença de votos para Pinheiro, reeleito. 

Durante a campanha, Abilio defendeu a demissão de 3 mil servidores públicos a fim de acabar com o 'cabidão' de empregos. Muitos acreditam que este é um dos fatores que levaram à derrota nas urnas.

“Falei mesmo e não me arrependo, pois a intenção era acabar com esse ‘cabidão’ de emprego que, hoje, a polícia está aí comprovando tudo aquilo que falamos muito antes da campanha e que foram confirmados, inclusive, pela própria ex-secretária Elizeth, aquela que pediu pra sair quando deparou com a total ingerência política na pasta”.

“Hoje, esse afastamento do paletó foi uma notícia maravilhosa", disse Abilio.
 

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