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Eleição em Cuiabá se decide pelo bolso do eleitor

19/09/2012 - 11:35

Cícero Henrique

Os candidatos a prefeitura de Cuiabá e Várzea Grande são visto no horário eleitoral gratuito visitando casas modestas de cuiabanos e dos varzeagrandensses. Os candidatos governistas  nas conversas, tentam ligar uma possível administração aos ganhos percebidos pelo povão na gestão de Dilma.

Era óbvio o que os candidatos estavam tentando fazer. Primeiro, ligando seu nome ao de Dilma para tentar conquistar a periferia, já que é mais forte apenas entre a classe média (e como alguém já disse, a classe média, sozinha, não elege ninguém). Como achou que não podia prometer nada ligado à economia (área do governo federal), falava em melhorar a cidade: trânsito, transporte, escola, posto de saúde...

E havemos de convir que a estratégia não funcionou. Enquanto isso, Lúdio e Lucimar nadam de braçada. E por quê? Futuros pesquisadores terão de se debruçar sobre pesquisas para responder com mais certeza. Mas uma possibilidade é: fizeram exatamente o contrário de Mauro, Zaeli e Wallace. E prometeu melhorias que o sujeito poderia sentir da porta da casa para dentro.

No fundo, parece que a população pode estar passando um recado para os candidatos. O que eles querem não é alguém que resolva os problemas “da porta para fora”. Lúdio está na coligação de Dilma e pode até dizer que fará pela cidade o que o governo petista fez pelo bolso do cidadão. Mas o que o eleitor quer é saber de mais alívio para o seu bolso.

O marketing da campanha de Lúdio e Lucimar parecem ter descoberto isso. E parece ter percebido também que as pessoas, quando assistem ao horário eleitoral gratuito, não têm capacidade para decorar 200 propostas: uma para cada regional, uma para cada escola, uma para cada rua. É preciso martelar bem duas ou três coisas que interessem muito ao distinto cidadão.

E quem é que vai criticar o sujeito que decide assim o seu voto? Primeiro, é preciso levar em conta que a tal diminuição da miséria na cidade (e em 65%!) tirou muita gente da pobreza extrema, é verdade. Mas a maior parte continua pobre. É gente que precisa mesmo de uma força para chegar ao fim do mês. Aí vem um sujeito prometendo 30% do orçamento na educação e outro com um sapato de graça. Quem ele vai escolher? Ele sabe o que significa 30% do orçamento? O tênis ele bem sabe quanto custa.

Cuiabá e Várzea Grande são uma cidade cheia de bairros operários, lotada de pessoas que lutam para fechar o mês com o dinheiro curto. Enquanto a maior parte da população estiver nessas condições, as promessas mais simples continuarão fazendo efeito. Desde que tenham a ver com o bolso do camarada e com as coisas que ele precisa pôr para dentro de casa.

 

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