Segunda-feira, 6 de dezembro de 2021
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Notícias | Executivo

A ‘zagueira’ Dilma abate o seu melhor jogador

10/06/2012 - 09:58

Redação

Dilma Rousseff relaciona-se com seus auxiliares com a suavidade de um zagueiro. Já era assim quando ocupava o cercadinho da Casa Civil. Depois que passou a acumular os papéis de escaladora do time, dona da bola e juíza a coisa piorou.

No governo da doutora, existe uma regra não-escrita: subordinado que foge do figurino arrisca-se a tomar um tranco. Só para saber com quem está lidando, para deixar claro quem é que manda na grande área.

Coube ao ministro Mendes Ribeiro o penúltimo ‘toco’. Titular da pasta da Agricultura, ele encontrou-se com Dilma na sexta (8). Na saída do Alvorada, perguntaram-lhe se achava possível que governo e ruralistas se entendessem no Código Florestal.

Discorrendo sobre o desejo dos agrocongressistas de flexibilizar os rigores das regras para a recomposição de matas nas beiras dos rios de médias propriedades, o ministro fez uma declaração protocolar:

“O próprio governo já mexeu nisso, buscou contemplar o médio [produtor rural]. Daqui a pouco os parlamentares podem achar que precisa mais um pouquinho. Isso é um debate natural que não tem como intervir.” Ele acrescentou:

“Esta semana atendi 23 deputados da bancada ruralista em um dia, muitos dizendo que estão satisfeitos. Mas se você disser que a bancada ruralista está satisfeita, o outro lado vai ficar insatisfeito. Mas a diferença é tão mínima que, em mais de 500 incisos, a discussão se restringe a 5 ou 6.”

Traduzindo: Mendes Ribeiro quis dizer que, depois de sofrer duas derrotas na Câmara, o governo está muito perto de obter um Código Florestal que Dilma considere aceitável. Havendo negociação, evita-se um novo Waterloo.

Ao ler as declarações do auxiliar, Dilma reagiu com a fúria de um Tonhão de time de várzea. Mirou no calcanhar. Chamou o porta-voz da Presidência, Thomas Traumann, e ordenou-lhe que informasse o seguinte:

“O ministro não está autorizado a falar sobre negociações envolvendo o Código Florestal.” Segundo o porta-voz, Mendes Ribeiro expressou uma opinião pessoal. Nada a ver com a posição da chefa.

Bom entendendor, o ministro mandou dizer que o entrevero não lhe causou constrangimento. Por meio da assessoria, declarou que já conversou com Dima e que não vai mais se pronunciar sobre Código Florestal.

Deputado federal do PMDB gaúcho, licenciado da Câmara para exercer as funções de ministro, Mendes Ribeiro era o único interlocutor do governo capaz de falar no idioma da bancada rural, que já prevaleceu sobre Dilma em duas oportunidades.

Ao roxear as canelas do ministro, a zageira do Planalto mandou à maca um auxiliar leal e silenciou o melhor negociador de que dispunha para driblar as resistências do time rural do Legislativo. Por ora, o governo arrosta um placar adverso de 2X0. Nesse ritmo, Dilma arrisca-se a deixar o campo com um constrangedor 3X0.

 

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