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InfoGripe aponta sinal de queda de SRAG em Cuiabá e mais sete capitais

95,2% dos casos de SRAG testaram positivo para Sars-CoV-2 (Covid-19)

13/02/2021 - 15:00 | Atualizada em 14/02/2021 - 10:54

Redação

InfoGripe aponta sinal de queda de SRAG em Cuiabá e mais sete capitais

Foto: Fiocruz

A nova edição do Boletim InfoGripe, elaborado pela Fiocruz, indica sinal queda de casos de Síndrome Respiratória Aguda (SRAG) em oito capitais a partir da segunda semana de janeiro: Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Brasília (plano piloto e arredores, DF), Cuiabá (MT), Curitiba (PR), Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP). Embora Manaus (AM) também apresente sinal de queda, os dados dessa capital ainda apresentam impacto importante do represamento, de modo que essa sinalização pode estar subestimando o cenário atual. Entre os registros com resultados positivo para os vírus respiratórios, 96,7% dos casos e 99,1% dos óbitos são em decorrência do novo coronavírus.

O coordenador do InfoGripe, Marcelo Gomes ressaltou que há uma série de fatores que podem gerar falsa impressão de queda como, por exemplo, o aumento no represamento de dados a partir de dezembro, o que reflete na demora para registro e divulgação de casos identificados nas unidades de saúde. De acordo com a análise, isso ocorre seja por aumento da demanda hospitalar, seja por esgotamento das equipes de saúde por conta da carga de trabalho. Outro fator seria a multiplicidade de sistemas de informação, o que levaria as equipes a darem preferência a notificar nos sistemas locais em detrimento do sistema nacional, como o Sistema de Informação de Vigilância da Gripe (Sivep-Gripe), entre outros fatores.

“Nos boletins recentes do InfoGripe, ilustramos o impacto que o aumento do represamento de dados no final do ano causaram nas estimativas, gerando subestimativa e sinal de queda durante período em que ainda havia crescimento. No entanto, estamos observando uma melhora gradativa em relação ao represamento, embora alguns locais ainda estejam apresentando impactos importantes, como é o caso de Manaus”, afirmou o pesquisador.

Marcelo esclareceu ainda que o efeito do represamento ocorrido em dezembro e começo de janeiro, que leva à subestimação de casos por data de ocorrência mencionada acima, gera o efeito inverso quando os casos são avaliados por data de divulgação. Segundo o pesquisador, o acúmulo de grande volume de casos antigos sendo divulgados ao longo do mês de janeiro gera uma impressão de aumento expressivo, mas que está associada a casos antigos, não necessariamente a casos que estão ocorrendo agora.

“Por isso a importância de dar preferência para análises com base em primeiros sintomas, data de internação ou data do óbito, não data de divulgação de casos ou óbitos. O Brasil possui grupos de pesquisa com experiência em lidar com o efeito do atraso para gerar estimativas adequadas como as utilizadas no sistema InfoGripe e InfoDengue, que servem de apoio à vigilância nacional de vírus respiratórios e arboviroses”, pontuou o pesquisador.

Em nível nacional, a investigação indica que os casos notificados de SRAG no Brasil como um todo apresentam sinal de queda de longo prazo (últimas seis semanas) e curto prazo (últimas três semanas). No entanto, ainda há diferenças importantes no território nacional, com algumas capitais e regiões interioranas mantendo a retomada do crescimento.

Diante deste novo cenário, de acordo com a análise, o pico observado no período de 3 a 9 de janeiro aparenta interrupção do aumento de casos ocorridos ao longo da segunda quinzena de dezembro de 2020 nos dados  nacionais, após o platô verificado entre final de novembro e início de dezembro. O estudo tem como base os dados inseridos no Sivep-Gripe até o dia 8 de fevereiro.

“Apesar dessa tendência, todas as regiões do país encontram-se na zona de risco, com ocorrências altas  de casos e de óbitos de SRAG por Covid-19 nas regiões do país”, destacou o coordenador do InfoGripe.

Casos de SRAG / Covid-19 no país

Desde 2020 até a presente atualização, foi reportados um total de 754.025 casos de SRAG. Destes, 56.175 são referentes ao ano epidemiológico 2021, sendo 28.816 (51,3%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 8.660 (15,4%) negativos, e ao menos 12.619 (22,5%) aguardando resultado laboratorial. Dentre os positivos, 0,0% Influenza A, 0,0% Influenza B, 0,5% vírus sincicial respiratório (VSR), e 95,2% Sars-CoV-2 (Covid-19).

Em 2020, foram notificados 697.850 casos, sendo 399.504 (57,2%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 209.316 (30,0%) negativos, e ao menos 47.905 (6,9%) aguardando resultado. Dentre os casos positivos, 0,3% Influenza A, 0,2% Influenza B, 0,3% vírus sincicial respiratório (VSR), e 97,9% Sars-CoV-2 (Covid-19).

Alerta para estados com carga excessiva na rede hospitalar

Conforme destacado em boletins anteriores, e explicitado em nota técnica elaborada pela Fiocruz, os dados apresentados no Boletim devem ser utilizado em combinação com demais indicadores relevantes, como a taxa de ocupação de leitos das respectivas regionais de saúde, por exemplo. (Fiocruz)
 

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