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BRT x VLT: Não se deixe enganar!

06/02/2021 - 12:06 | Atualizada em 07/02/2021 - 21:11

Cícero Henrique

BRT x VLT: Não se deixe enganar!

Foto: Reprodução

O prefeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro (MDB) está apelando de todas as formas para polarizar com o governador Mauro Mendes (DEM). Pensando na disputa ao governo em 2022, Pinheiro insiste na manutenção do modal de transporte Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT).

Mesmo após aprovação da mudança para o modal Ônibus de Trânsito Rápido (BRT) pela Assembleia Legislativa e do cancelamento do contrato do consórcio VLT, Pinheiro resolveu apelar, com ajuda do deputado estadual Valdir Barranco, exigindo a realização de plebiscito para que a população decida entre o VLT e BRT.

Detalhe importante: a esposa do deputado Barranco foi nomeada para um cargo de chefia na Prefeitura. Além disso, Emanuel Pinheiro ficou famoso no Brasil com a alcunha de 'Paletó' após ser flagrado em vídeo recebendo propina no Palácio Paiaguás, sede do governo mato-grossense. À época da gravação do flagrante, Pinheiro (Paletó) era deputado estadual, responsável pela fiscalização das obras da Copa 2014, inclusive da execução das obras do VLT. O dinheiro que caia do paletó era parte da propina de R$ 600 mil reais dividida em parcelas de R$ 50 mil, a fim de fazer vista grossa na fiscalização do VLT e outras obras realizadas pelo governo.

Emanuel Pinheiro é alvo de, nã uma, mas três delações, do ex-governador Silval Barbosa, pelo ex-presidente da ALMT Geraldo Riva e pelo ex-chefe de gabinete Silvio Corrêa.

A morosidade do judiciário pode acabar levando à prescrição do 'suposto' crime, ocorrido em 2011/2014, que veio a público no Jornal Nacional em 2017, escandalizando cuiabanos, mato-grossenses e o país. A morosidade da Justiça permitiu a reeleição de Pinheiro em 2020, numa eleição marcada pelo uso da máquina pública e muito, muito dinheiro.

Alvo da CPI do Paletó, Pinheiro foi poupado pelos vereadores de sua base, maioria na Câmara Municipal.  É este homem, Emanuel Pinheiro, que, de olho na cadeira de governador, polemiza e faz lobby pelo VLT.

O próprio procurador-geral de Justiça, José Antônio Borges Pereira, ressaltou que o ex-governador Silval Barbosa, que iniciou as obras do VLT para a realização de jogos da Copa do Mundo em Cuiabá, admitiu ter havido corrupção na decisão de mudar o modal, que inicialmente seria o BRT. Borges  cobrou uma decisão célere para não causar mais prejuízos ao erário estadual e à população pela indefinição e as obras paradas. “Os vagões estão apodrecendo sob sol e chuva, e nos canteiros onde passaria o VLT já foram até plantadas árvores, já têm árvores frondosas. Estão até falando que será preciso trazer jegues do Nordeste para levar o trem até o Coxipó, porque ele não consegue subir a Ilha da Banana”.  

A decisão política já foi tomada pelo governador e foi referendada pela Assembleia. O governante tem respaldo para decidir, mas não pode decidir simplesmente pelo que passa na sua cabeça. O governo se baseou em estudos técnicos que apresentou, contratou empresa especializada. O Ministério Público entende que as autoridades têm que agir como no caso da pandemia da Covid-19, em que estamos respeitando a ciência, o que dizem os cientistas. No caso do modal, temos que ouvir os engenheiros, advogados, técnicos, para embasar a decisão”, afirmou o procurador-geral. 

De acordo com o estudo técnico elaborado pelo Governo de Mato Grosso e pelo Grupo Técnico criado na Secretaria Nacional de Mobilidade Urbana, para a conclusão do BRT são necessários 24 meses e R$ 430 milhões, já para o VLT, o custo seria de R$ 763 milhões e 48 meses para ser finalizado. O valor da tarifa do VLT, que ficou orçada em R$ 5,28, montante muito superior ao do transporte coletivo praticado na Baixada Cuiabana, que é de R$ 4,10. A tarifa prevista do BRT é de R$ 3,04.

"A eleição acabou, vamos todos juntos – todos os Poderes – trabalhar pelo bem da população. Daqui a dois anos podemos discutir novas propostas, mas já há um esgotamento da população, porque ficar nessa discussão muitas vezes irracional, que não leva a nada”, pontuou o procurador-geral.
 

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