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Era do foda-se se torna marca registrada das festas de fim de ano

FELIZ COVID NOVO

03/01/2021 - 08:34 | Atualizada em 03/01/2021 - 10:55

Augusto Diniz

Era do foda-se se torna marca registrada das festas de fim de ano

Pessoas enchem a boca para criticar políticos, mas na primeira oportunidade fazem igual com a desculpa de que se cansaram do isolamento social

Foto: Reprodução/Instagram

Pouco importa se vivemos a pior pandemia dos 20 primeiros anos do século XXI. Não interessa se mais de 1,8 milhão de pessoas morreram em todo mundo vítimas da Covid-19, causada pelo vírus Sars-CoV-2, que gera uma síndrome respiratória aguda grave transmitida por gotículas que saem da boca ou do nariz. Nem afeta a muitos o fato de mais de 193 mil brasileiros terem falecido em decorrência da doença desde o final de fevereiro no País. O comportamento da população nas festas de Natal e réveillon escancara o egoísmo que levará mais pessoas ao caixão sem direito às devidas cerimônias de despedida.

Nem as notícias que dão conta de que o Brasil ainda não tem uma vacina contra a Covid-19 aprovada ou pronta para ser aplicada nos grupos de risco diminuíram o ímpeto das pessoas de saírem de casa na noite e no almoço de Natal e matar a saudade da família. Só não dá para reclamar se seu tio ou avó morrer daqui um mês ou menos vítima da doença que poderia ter sido evitada se você tivesse ficado em casa e esperasse as festividades do final de 2021 com mais segurança.

Aqueles que não foram para a casa de familiares, partiram em viagens de carro, ônibus ou avião para o litoral. As praias se tornaram o cenário de publicações em fotos e vídeos nas duas últimas semanas de dezembro nas redes sociais. Pessoas festejam o recesso, as férias, a vida e o descanso em belos destinos, companhias felizes e momentos de confraternização. Todos sem máscara ou qualquer centímetro de distanciamento social. Nem precisamos repetir que essas são situações que aumentam a chance de contágio.

Litoral da aglomeração

Mas pouco importa se cidades litorâneas estavam, parte delas, com seus leitos de UTI todos ocupados antes mesmo da virada do ano. O que interessa é viver. Até parece que a cena nos stories do Instagram em 25 de abril, quando a digital influencer Gabriela Pugliesi disparou um sonoro e nada envergonhado “foda-se a vida” durante uma festa em casa com convidados, continua de forma interminável. A cada postagem de um amigo, familiar ou alguém que você segue, a alegria por descumprir as medidas de prevenção fica mais intensa. As pessoas se cansaram do isolamento, muitos dizem. Mas a doença não deixou de causar a morte daqueles que, inclusive, podem ter sido contaminados por quem ligou o foda-se e foi viver como se nada tivesse ocorrido de diferente em 2020.

Muitos dos que criticaram Pugliesi, que saiu das redes como musa fitness e voltou numa nova roupagem, de investidora em ações na bolsa de valores, fazem a mesma saudação à sorte em nome do hoje. O egocentrismo se tornou umbigocentrismo. Quem preza por conter os ímpetos de sair de casa sem necessidade durante as festas de fim de ano foi chamado de paranoico por quem se deu à irresponsabilidade de fazer o que deu na telha durante a pandemia. Mas o saldo virá em janeiro. E já começou a surgir com internações e casos confirmados da Covid-19 menos de uma semana depois do Natal.

Grande parte dos que viajaram para o litoral para curtir belas paisagens e desfrutar da possibilidade de voltar para casa em janeiro com um belo bronzeado ou aproveitar festas na praia no réveillon e nas férias de fim de ano passaram os meses de 2020 a criticar nas redes sociais as declarações e ações negacionistas, anticiência e conspiracionistas da turma do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Mas bastou uma oportunidade para fazer tudo como manda a cartilha do bolsonarismo.

A digital influencer Gabriela Pugliesi resolveu convidar amigas e outras influenciadoras digitais e deu uma festa durante a pandemia da Covid-19, devidamente registrada nas redes sociais, o que gerou a perda de patrocínios e contratos | Foto: Reprodução/Instagram

“Para que essa ansiedade?”

Mascara para quê? “Para que essa ansiedade, essa angústia?”, questionou o ministro da Saúde, que disseram ser especialista do Exército em logística, general Eduardo Pazuello. A verdade é que aqueles que viajaram ou não pensaram duas vezes na hora de visitar a família em outra cidade decidiram concordar com a indagação do titular da pasta que pouco fez para combater a pandemia no Brasil. Será que essas pessoas passaram a apoiar o discurso antivacina da patotinha do Palácio do Planalto ou são apenas hipócritas mesmo?

É muito triste ter de assumir isso, mas 2021 começou com nada a se comemorar. Não festejamos a chegada do ano novo na espera de um calendário de vacinação convincente no País, com doses adquiridas para imunizar a todos os mais de 211 milhões de brasileiros. Começamos janeiro no aguardo pelo aumento do número de internações, doentes e mortos pela mesma doença com a qual sabemos minimamente lidar. Informação repassada de forma exaustiva: não há medicamento eficaz para prevenir o desenvolvimento da Covid-19, apenas a vacinação para atingir a imunização de rebanho, com pelo menos 70% das pessoas vacinadas no Brasil, uso de máscara, distanciamento, isolamento social e higiene das mãos com água e sabão ou álcool em gel.

Continuemos a brincar na era do foda-se. Podemos sobreviver a 2020 e 2021 para contar a história ou vivermos loucamente o Natal e o réveillon para fazer ter valido a pena. Afinal de contas, se não estivermos lá para abraçar amigos e parentes no final do ano que se inicia agora, de que isso importa? O agora nos deu a oportunidade de mostrar para onde viajamos nas redes. Feliz Covid novo a todos. Que sobrevivamos ao foda-se coletivo!

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