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Política no Rio criou laços de conveniência com milícia

13/09/2020 - 10:35 | Atualizada em 13/09/2020 - 10:45

Thiago Prado, O Globo

Nos últimos 15 anos, a entrada de integrantes do crime organizado na política do Rio deu-se com o respaldo das cúpulas partidárias do estado, além de prefeitos e governadores. E, o pior, em meio a assassinatos que colocariam sob suspeita milicianos que conseguiram espaços na Câmara de Vereadores e na Assembleia Legislativa do Rio.

Berço da milícia carioca, Rio das Pedras, em Jacarepaguá, elegeu o vereador Josinaldo Francisco da Cruz, o Nadinho, no início do século pelo então PFL, hoje DEM, do ex-prefeito Cesar Maia. Em 2007, o policial civil Félix Tostes, ex-aliado seu na favela que tornou-se inimigo, foi assassinado. Meses depois, Nadinho acabou acusado, em inquérito da Polícia Civil, pelo homicídio. Antes de ser julgado, foi executado em 2009, quando saía do seu prédio na Barra da Tijuca.

Nos anos 2000, Cesar Maia andava de braços dados com Nadinho em Rio das Pedras para inaugurar obras. Eram tempos em que o então deputado federal Eduardo Paes, hoje pré-candidato a prefeito, elogiava o que chamava de “polícia mineira de Jacarepaguá” (um vídeo de uma entrevista sua no RJTV em 2006, disponível no YouTube, mostra a simpatia que havia no meio político para policiais que se organizavam para vender segurança nas favelas).

Naquele mesmo ano, Rodrigo Bethlem, hoje coordenador da campanha do prefeito Marcelo Crivella, era subsecretário estadual de Governo e empregou o bombeiro Cristiano Girão, chefe da milícia de Gardênia Azul, também em Jacarepaguá. Girão foi eleito vereador, mas acabou preso, acusado de comandar um grupo responsável por assassinatos na região sob o seu domínio. Essa semana, Girão voltou ao noticiário pela ligação com o policial militar reformado Ronnie Lessa, acusado de participar do homicídio da ex-vereadora Marielle Franco.

A campanha de Sérgio Cabral ao Palácio Guanabara em 2006 também é sintomática da conveniência dessas relações. Cabral subiu no mesmo palanque que o vereador Jerônimo Guimarães, o Jerominho, e o deputado estadual Natalino Guimarães. Os dois irmãos eram filiados respectivamente ao antigo PMDB, hoje MDB, e DEM. Foram presos acusados de comandar a Liga da Justiça, a maior milícia do Rio, que comanda bairros da Zona Oeste. Além de Carminha Jerominho, que tentará voltar para a Câmara de Vereadores, a família pôs Jessica Guimarães, sua prima, como candidata a vice-prefeita, na chapa oficializada ontem pelo PMB liderada por Sued Haidar.

Está nos planos de Luiz André Ferreira da Silva, o Deco, acusado de chefiar no passado a milícia da Praça Seca, um movimento semelhante. Deco vai lançar o filho Daniel Carvalho para vereador, mesmo cargo que ocupou até perder o mandato, acusado de chefiar um grupo paramilitar e planejar homicídios. Alguns deles, enforcando e amarrando seus rivais.

 

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